Memórias

Uma das várias memórias culinárias que tenho é a tortilha de batata da minha avó.

Espanhola de nascença, foi encontrar no Alentejo abrigo durante a sua vida. Isto deu-lhe uma mão para a cozinha inigualável. Sempre gostou de cozinhar e não perdia a oportunidade de mandar alguns palpites quando era eu ou a minha mãe a comandar os tachos. Acho que ainda a oiço perguntar, empoleirada sobre aquilo que estávamos a fazer e com o seu sotaque e expressão características então filha! Mas vais misturar isso? E fica bom? Ela dominava a arte. Ficaram várias recordações no palato e muito poucas no papel.

A tortilha espanhola alta e fofa. A açorda alentejana carregada de coentros e alho. As popias acabadas de fazer quando regressávamos de viagem, feitas com o resto da massa do bolo de azeite. As filhoses amassadas com garra na véspera de Natal. As azevias de grão, ai! Azevias.

Tantas que dava para escrever um livro. Tantas que continuamos a tentar replicar, mas que acabam sempre diferentes. Falta-nos a mão, a força a capacidade de temperar sem provar.

Por estes dias decidi “replicar” a tortilha de batata. Sabia que os restantes pés deste T2 iriam adorar. E para mim é uma emoção, poder partilhar com eles aquilo que aprendi com a minha avó. Desde início, decidi que tinha que alterar a receita. Talvez para saber desde logo que seria diferente e não ficar frustrada no final.

Ingredientes:

  • 2 batatas médias partidas em cubos de 1 cm aprox
  • 1 cebola partida ás meias luas finas
  • 1 alho francês partido às rodelas finas
  • 4 folhas de acelgas cortadas em tiras finas (sem talo)
  • 5 ovos inteiros batidos
  • Azeite qb
  • Sal qb

Num tacho com água e sal, coloquei as batatas já partidas em cubos para cozerem (sem desfazerem). Depois transferi para um escorredor e deixei a perder a água.

Numa frigideira anti-aderente coloquei o azeite e deixei aquecer ligeiramente antes de juntar a cebola e o alho francês. Deixei estes amolecerem bem e adicionei as batatas já secas para ganharem alguma cor.

(a minha avó  não punha alho francês e fritava as mesmas em vez de cozer e saltear e penso que assim fosse o método correcto, mas eu quis uma versão mais saudável)

Quando já tinham cor, adicionei as acelgas (a minha avó também não colocava!) cortadas, temperei com sal e envolvi tudo. Espalhei bem todo este preparado pela frigideira e só depois adicionei os ovos batidos. É importante que cubram todo o preparado, por isso se virem necessidade de adicionar mais um, não hesitem. Reduzi o lume para médio-baixo e tapei a frigideira. Aguardei até a parte superior estar cozida. Depois, com a ajuda de um prato virei a tortilha (como se faz com os bolos!), para então deixar ganhar cor na parte agora por baixo.

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Espero que gostem. Afinal a cozinha também é isto: Reinventar memórias!

Próximos passos serão replicar a carne assada no tacho com cenouras, que a minha mãe faz e me deixa sempre triste quando as cenouras acabam. Ou os pasteis de massa tenra da minha avó paterna, que a minha irmã comia (sim! agora é 90% verdinha, mas mesmo assim acho que não lhes resistia) desalmadamente.

#38

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